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Versão da tradução do manuscrito da Conferência de
Albert Einstein na Academia Brasileira de Ciências

7 de maio de 1925

 
 

Observações sobre a situação atual da teoria da luz
[Bemerkungen zu der gegenwärtigen Lage der Theorie des Lichtes]

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que, com a teoria ondulatória da luz, na sua forma eletromagnética, tivéssemos adquirido um conhecimento definitivo sobre a natureza da radiação. No entanto, sabemos, há cerca de 25 anos, que essa teoria não permite explicar as propriedades térmicas e energéticas da radiação, embora descreva com precisão as propriedades geométricas de luz (refração, difração, interferência etc.). Uma nova concepção teórica, a teoria do quantum luminoso, semelhante à teoria da emissão de Newton, surgiu ao lado da teoria ondulatória da luz e adquiriu uma posição firme na ciência pelo seu poder explicativo (explicação da fórmula da radiação de Planck, dos fenômenos fotoquímicos, teoria atômica de Bohr). Não se conseguiu, até hoje, uma síntese lógica da teoria dos quanta e da teoria ondulatória, apesar de todos os esforços feitos pelos físicos. É, por essa razão, muito discutida a questão da realidade dos quanta de luz. Há pouco tempo, Bohr, juntamente com Cramers [N.T.: Einstein escreveu com 'C'. O nome correto é Kramers] e Slater, tentou explicar teoricamente as propriedades energéticas da luz sem lançar mão da hipótese de que a radiação é constituída de quanta análogos a corpúsculos. Segundo a opinião desses pesquisadores, devemos continuar a imaginar a radiação como constituída de ondas que se propagam em todas as direções. Essas ondas, embora absorvidas pela matéria de modo contínuo, como quer a teoria ondulatória, produzem, de acordo com as leis da estatística, efeitos que são idênticos aos de átomos similares aos quanta. Tudo se passa como se a radiação fosse constituída de quanta, de energia hn e de momento igual a hn/c. Com essa concepção, esses autores abandonaram a validade exata dos teoremas da conservação da energia e da quantidade de movimento, substituindo-os por uma relação que possui apenas um valor estatístico.
[CONTINUA...]

Albert Einstein